O DOM DE PROFECIA

 

"Segui a caridade, e procurai com zelo os dons espirituais, mas principalmente o de profetizar"(I Co 14.1)

Introdução

Há algo muito interessante notar como o apóstolo Paulo discute o dom de profecia, estabelecendo inclusive normas quanto ao exercício desse dom.
A profecia é uma manifestação do Espírito de Deus e não da mente humana, e é concedida a cada um, visando a um fim proveitoso. (I Co 12.7) Embora o dom de profecia nada tenha a ver com os poderes normais do raciocício humano, pois é algo muito superior, isso não impede que qualquer cristão possa exercitá-lo: "Porque todos podereis profetizar, uns depois dos outros; para que todos aprendam, e todos sejam consolados."(I Co 14.31)

A Natureza do Dom de Profecia

Quanto à sua natureza essencial :

1. O dom de profecia se distingue da simples pregação. O profeta é alguém através de quem Deus fala, alguém que fala em nome de Deus. Neste sentido qualquer pregador poderia ser chamado de "profeta" na medida em que fala a Palavra de Deus. Mas no caso da manifestação do dom de profecia, o possuidor deste dom fala em nome de Deus trazendo uma mensagem de edificação, exortação e de consolação para a congregação. Por mais importante que seja essa mensagem profética, ela não tem o valor de cânone, tampouco deverá ter a pretensão de complementar a Palavra de Deus.

2. O dom de profecia é de origem divina. No contexto de I Co 12, o dom de profecia é uma concessão divina através do Espírito Santo, assim como são os demais dons ali relacionados pelo apóstolo Paulo. Ninguém, portanto, está autorizado a "criar" e a "inventar" as suas profecias como forma de ajudar as pessoas mais queridas, tampouco para afrontar aquelas pessoas das quais não gosta. Inventar "profecias" como forma de mostrar muita espiritualidade é uma total irreverência que poderá levar o crente a cair em blasfêmia contra o Espírito Santo.

3. O dom de profecia tem propósitos específicos. "… o que profetiza fala aos homens para edificação, exortação e consolação" (I Co 14.3). Portanto, "edificação", "exortação" e "consolação" se constituem no tríplice propósito do dom de profecia no seio da igreja local.

4. O dom de profecia é distinto da interpretação das línguas. Partindo do ensino de Paulo de que "o que fala língua estranha não fala aos homens, senão a Deus…" (I Co 14.2), "… mas o que profetiza fala aos homens… (I Co 14.3), temos de aceitar que é Deus quem fala através da profecia à congregação. Assim o ensino popular, mas equivocado, de que línguas + interpretação é = a profecia, não se harmoniza com o ensino de Paulo.

Propósitos do Dom de Profecia ( I Co 14.3)

1. Edificação. Assim como ninguém nasce maduro em Cristo, mas como um bebê, carece dos cuidados e alimento adequado à sua necessidade de crescimento (I Pe 2.2), sabendo isto, Jesus Cristo, o Senhor e dono da Igreja, supre os crentes dos meios contribuidores para esse crescimento; um deles é o dom da profecia.

2. Exortação. Aqui, "exortação" é chamar a atenção com insistência em direção a um rumo ou decisão a tomar. Para aqueles crentes mais maleáveis e que melhor absorvem a vontade de Deus para com a sua vida, a profecia contribui para a sua "edificação" resultante da própria cooperação desses crentes com o Espírito Santo. Já para o crente arredio, a profecia pode bradar como um trovão em meio a uma noite tempestuosa. No entanto, uma vez que é o Senhor quem fala, o crente deve ouvir, humilhar-se, calar-se e aprender. Se somos repreendidos pelo Senhor, é para não sermos condenados com o mundo (I Co 11.32).

3. Consolação. Há momentos na vida do crente, em que, visitado por qualquer tipo de infortúnio, ele se sente a lutar sozinho, sem parentes nem amigos que possam ajudar. Ele se sente como Jacó no vale de Jaboque (Gn 32.22-32), sozinho lutando com seus receios e fracassos. Em momentos como estes, o Senhor costuma manifestar-se ao crente com as seguintes palavras: "Esforça-te, e tem bom ânimo; não pasmes, nem te espantes; porque o Senhor teu Deus é contigo, por onde quer que andares." (Js 1.9)

Aspectos Normativos do Dom de Profecia

De acordo com I Coríntios 14.

1. O que profetiza edifica a igreja (v 4). Quanto a isto, é espantoso e preocupante verificar que os "profetas" hoje, em sua maioria, estão profetizando em suas casas e não na igreja. Por que isto acontece ? Possivelmente por causa da forma hostil com que muitos dos nossos ministros atuais combatem a profecia, generalizando-as como "carnalidade" e "meninices". Para que a profecia sirva de edificação para a Igreja, ela deverá ser exercitada no seio da congregação.

2. Falem dois ou três profetas (v 29). Assm como o culto não deve ser transformado num "festival" de línguas estranhas, de igual modo a congregação deve ser doutrinada no sentido de não transformá-lo num "festival" de profecias. A recomendação bíblica é que, por culto, falem dois ou três profetas, não atropelando uns aos outros, mas alternadamente. O culto pleno, além da profecia, comporta ainda, salmo, doutrina, revelação, língua e interpretação (v 26).

3. A profecia está sujeita a julgamento (v 39). Dos nove dons alistados pelo apóstolo Paulo em I Co 12.1-10, apenas a profecia está sujeita a julgamento; é que assim como o dom de línguas, o dom de profecia está sujeito a abusos.

4. Todos podem profetizar (v 31). Na igreja local não deve existir o "Clube Fechado dos Profetas". Infelizmente alguns crentes, a exemplo de Josué, crêem que profetizar é ministério duma classe muito especial de pessoas – do pastor, por exemplo – proibindo os demais de profetizar (Nm 11.28). Porém, a exemplo do que Moisés disse quanto à congregação de Israel, repondendo aos ciúmes de Josué "Oxalá que todo o povo do Senhor fosse profeta, que Deus lhe desse o seu Espírito!"(Nm 11.29), devemos incutir no povo de Deus a compreensão de que "todos podereis profetizar, uns depois dos outros; para que todos aprendam, e todos sejam consolados"(v 31).

5. Os espíritos dos profetas estão sujeitos aos profetas (v 32). O dom de profecia não se manifesta através do crente como uma espécie de possessão, a possessão demoníaca, por exemplo, em que a pessoa perde o controle total sobre a sua mente e aos seus atos. Pelo contrário. O profeta pode receber uma mensagem de Deus, no culto, no momento em que o pregador está pregando a Palavra de Deus, no entanto, não deve interromper o pregador, mas aguardar o momento adequado para entregar a profecia que o Senhor lhe deu. Deste modo a profecia pode ser entregue na força do momento em que o profeta a recebeu, ou simplesmente como se dá um "recado". Neste caso a profecia não perde em nada o seu vigor; o importante é que o profeta não tenha dúvida de que está comunicando a Palavra de Deus.

6. O que Paulo escreveu sobre a profecia são mandamentos do Senhor Parece próprio da formação (má formação) de determinados cristãos admitirem que as pessoas que exercem ministérios específicos e evidentes na igreja, estão acima da obrigação de obedecer a princípios e mandamentos. O profeta deixando-se enlaçar pela vaidade, torna-se presa fácil do engano de que não está sujeito a nenhum tipo de autoridade. mas o apóstolo Paulo escreve : "Se alguém cuida ser profeta, ou espiritual, reconheça que as coisas que vós escrevo são mandamentos do Senhor. Mas, se alguém ignora isto, que ignore"(vv. 37-38).

Experiência

Não vou enganar dizendo que este foi o primeiro dom que pedi a Deus, mas ao contrário foi o do discernimento, pois eu ficava pensando quando participava das consagrações da mocidade assim que me converti.
Como pode um jovem que vive de forma errada, ficar "profetizando" que Deus estava aborrecido com as jovens por estarem usando batom. Para mim Deus tinha coisas mais importantes para pensar e fazer, e com certeza o batom que era usado por mim e pelas demais jovens não nos faziam desmerecedoras da graça de Deus.
Não fui batizada naquela época, mas após uns 4 meses, mas Deus me respondeu através de outro jovem, o próprio irmão do "profeta" que após se converter começou a participar conosco do grupo jovem, ele nos contou a armação que o jovem criou para parecer "santificado".
Depois desse episódio tudo voltou ao normal, mas mesmo assim busquei o mesmo Dom, pois como o enfoque do estudo mostra essa posição de julgar a profecia deve ser feita seguindo os moldes bíblicos para servir de edificação, consolação e exortação e não para dissolução do corpo de Cristo.
Mas deixo claro que nem sempre esse tipo de postura e tomada por todos os que possuem o Dom de Profecia, pois as que recebi de uma irmã que amo muito, todas estão se cumprindo e minha vida tem sido marcada por constantes vitórias.

Conclusão

O Dom de Profecia deve ser "usado" conforme ensino bíblico para não causar confusão como já presenciei.
O Espírito Santo é manso e não deixa dúvidas quando opera, sua ação faz com que o ouvinte repense seus atos, confiando em Deus. O profeta não deve falar por si só mas deve ter autoridade concedida por Deus para exortar a igreja.
Que todos possam ter a certeza e a convicção de que Deus deseja usar a todos que aspiram o Dom de Profecia. 

 

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