A Crise de Tomé (By Pr. Laerte Augusto – ICS)

Estudo para Células – 24

João 20:19-29

Introdução: Convivemos melhor quando os que estão conosco demonstram segurança no que falam e vivem. Porém, muitas vezes, essa demonstração de segurança é enganosa. Gostamos que as pessoas que se aproximam de nós estejam bem, todavia, nem sempre é assim, muitas estão em conflitos, enfrentando incertezas e dúvidas.

Essa passagem bíblica apresenta um dos discípulos de Jesus passando por uma grave crise. Seu nome era Tomé, ele entrou para a história como aquele que duvidou da ressurreição do seu Senhor. Porém, o evangelho de Marcos (16: 9- 14) conta que todos os discípulos de Jesus não acreditaram que Ele houvesse ressuscitado, quando Maria Madalena veio falar com eles que estivera com Jesus. Mas, Tomé levou a fama, justamente por estar ausente quando o Senhor apareceu a primeira vez ao seu grupo de apóstolos.

A morte de Jesus levou Tomé a uma série de questionamentos. Quantas vezes nós estamos enfrentando perguntas interiores, questionamentos sobre sexualidade, sobre a existência, sobre ministério, sobre a igreja e família. A dúvida, a crise, o conflito, são partes do processo da maturação da fé. Tentar negar isso é fazer uma opção pela hipocrisia.

Dois aspectos se destacam na personalidade de Tomé:

1. Coragem para dizer o que se sente – João 11:16 mostra que Tomé era um homem suficientemente corajoso, nesse episódio, ele demonstra estar pronto a ir até as últimas conseqüências na sua decisão de seguir Jesus. Agora, em João 20:25, ele tem coragem de mostrar os seus sentimentos feridos e as suas dúvidas com relação a sua fé. Tomé teve coragem para dizer o que sentia; muitas vezes estamos na igreja cheios de dúvidas e medos sem ter coragem de revelarmos o que estamos sentindo. Tomé, ainda que equivocado na sua análise a respeito da ressurreição de Cristo, teve coragem de expor a sua insegurança e a sua dor.

2. Ficar só sem se isolar – Tomé não estava presente quando Jesus veio a primeira vez (24). A crise de Tomé fez com que ele ficasse só, contudo ele vence a solidão e consegue voltar. É importante notar a diferença que existe entre ficar só por um tempo e de se isolar. Infelizmente, nos momentos de crise muitos abandonam a igreja, sua célula e o seu líder; entretanto, o isolamento não irá melhorar a situação de ninguém, pelo contrário, irá piorar. Isto porque somos uma família e Deus nos abençoa quando vivemos em união. Temos uma tendência a nos escondermos nos momentos de crise, com Tomé não foi diferente, mas o mais importante é que depois de tudo ele volta para os seus amigos.

Como a igreja reagiu à crise de Tomé?

1. A reação da igreja – Quando Tomé volta, ninguém o censurou por não estar lá na hora em que o Senhor apareceu. Eles disseram a verdade para Tomé, ele contestou dizendo que só acreditaria se visse os sinais dos cravos nas mãos do Senhor e pusesse o dedo em suas chagas, e do seu lado colocasse a mão. Mesmo sendo contestados, ninguém retrucou, respeitando a dor da decepção de Tomé. Um dos maiores erros que nós cometemos é o de tentar convencer as pessoas da verdade que experimentamos. Geralmente travamos uma verdadeira guerra de palavras no sentido de querer convencer o outro de que aquilo que sabemos e experimentamos é uma verdade inquestionável. Seres humanos em crise, geralmente não necessitam de palavras, mas de ouvidos dispostos a ouvi-los. Ouvidos abertos, silenciosos, atentos, sensíveis, empáticos, pacientes, são muito mais importantes nessas horas do que milhões de palavras.

Como Jesus reagiu à crise de Tomé?

2. A reação de Jesus – Mesmo diante da dificuldade que Tomé teve de vencer suas dores e inquietações, Jesus, oito dias depois (26), volta para curá-lo da sua incredulidade. O ponto mais alto e surpreendente nessa história é que Jesus volta, e volta para um incrédulo. Tomé não aceitou a experiência de seus amigos e não aceitou a palavra que o próprio Senhor já havia falado sobre a sua ressurreição (Marcos 9:30-32). Mesmo assim, esse texto mostra Jesus insistindo com Tomé, trazendo para ele a fé dos que não viram e creram (29), fé que vai além da razão, que vai além do natural, que invade o sobrenatural, que não precisa ver, que não precisa apalpar, a fé dos bem-aventurados. 

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