A vida e conversão de Paulo

Paulo, Em grego Paulos, derivado do latim Paulus, que quer dizer pequeno. Nome do grande apóstolo dos gentios. O nome judaico anterior era Saulo; no hebreu, Shaul, no grego Saulos. Nascido em Tarso, cidade principal da Cilícia, e pertencia a tribo de Benjamim. Não se sabe como é que a sua família foi residir em Tarso. Uma antiga tradição afirma que ele havia sido levado de Giscala em Galiléia, pelos romanos, depois que tomaram este último lugar. É possível, pois, que a família de Saulo em tempos anteriores, tivesse fixado residência em Tarso, com alguma das colônias que os reis da Síria estabeleceram ali ou que tivesse imigrado voluntariamente como faziam muitos judeus por motivos de ordem comercial.

Ao que tudo indica Paulo tinha relações familiares de alto valor e de grande influência. Em Rm 16:7, 11 manda saudar a três pessoas, seus parentes , das quais Andrônico e Júnias, convertidos antes dele. Pela leitura de At. 23:16 sabe-se que "um filho de sua irmã", que provavelmente morava em Jerusalém com sua mãe, deu informações ao tribuno sobre a conspiração tramada contra a vida de Paulo. Dá isto a entender que este moço pertencia a alguma das famílias importantes da cidade, o que parece confirmado pelo fato de Paulo haver presenciado à morte de Estevão. É provável que já fosse membro do concílio, pois que não tardou a receber permissão do sumo sacerdote para perseguir os cristãos. Os seus dizeres na epístola aos Filipenses 3:4-7, autorizam-nos a dizer que ocupava posição de grande influência que lhe dava margem para conseguir lucros e grandes honras.

Apesar de receber uma educação subordinada às tradições e às doutrinas da fé hebraica, e de ter pai fariseu, At. 23:6, ele era cidadão romano. Tarso era centro intelectual do oriente onde existia uma escola famosa e onde dominava a filosofia estóica. É possível que Paulo crescesse ali sob estas influências. Seus pais, sendo fiéis à lei mosaica, o mandaram logo para Jerusalém para ser educado lá. À semelhança de outros rapazes da mesma raça, tinha que aprender um ofício, que no seu caso, foi fazedor de tendas, das que se usavam em viagens. Como ele mesmo diz, foi educado em Jerusalém, para onde o mandaram como jovem. A educação consistia principalmente em fixar nele as tradições farisaicas. Teve como receptor um dos mais sábios e notáveis rabino daquele tempo, o grande Gamaliel, cujo discurso se contém em Atos 5:34-39, que aconselhava o Sinédrio a não tentar contra os apóstolos. A seus pés o jovem Saulo, vindo de Tarso, recebeu as lições sobre os ensinos do Antigo Testamento, porém de acordo com as sutilezas e interpretações dos doutores, acendeu-se o espírito do jovem discípulo, um zelo feroz para defender as tradições de seus antepassados. Assim, pois, o futuro apóstolo tornou-se fariseu zeloso, disciplinado nas idéias religiosas e intelectuais de seu povo. Por este modo, e pelas relações familiares preparavam-lhe posição de destaque na sociedade judaica.

Paulo perseguia com ardor os primeiros cristãos. Sem dúvida entrava no número daqueles helenistas, ou judeus que falavam o grego, mencionados nos Atos dos Apóstolos, que promoveram a acusação contra Estevão. Logo após o martírio de Estevão, tomou parte ativa, dirigindo o movimento de perseguição contra os cristãos. Fazia isto guiado por uma consciência mal informada. Era um tipo de inquisitor religioso. Não satisfeito com a perseguição devastadora que fazia em Jerusalém, pediu cartas ao principe dos sacerdotes para as sinagogas de Damasco com o fim de levar presos para Jerusalém quantos achasse desta profissão. Os romanos davam largos poderes aos judeus para exercerem a sua administração interna. O governador de Damasco que obedecia à direção do rei Aretas, era particularmente favorável aos judeus, favorecendo deste modo a perseguição de Paulo.

Foi no caminho de Damasco que se deu a repentina conversão. Paulo e seus companheiros provavelmente iam à cavalo, como era costume nas viagens pelos caminhos desertos da Galiléia para a antiga cidade. Estavam perto da cidade e era meio-dia, repentinamente uma luz vinda do céu mais brilhante que a luz do sol, caiu sobre eles, derrubando-os. Todos se ergueram, continuando Paulo prostrado por terra, ouviu-se uma voz que dizia "Saulo, Saulo, porque me persegues? Dura coisa é recalcitrares contra o aguilhão", respondeu ele " Quem és tu, Senhor?", Ele respondeu "Eu sou Jesus a quem tu persegues. Levanta-te e vai à cidade e aí se te dirá o que te convém fazer". Os companheiros que o seguiam ouviam a voz sem nada ver, nem entender. Paulo sentiu-se cego pelo intenso clarão de luz, e foi conduzido pela mão dos companheiros, entrou em Damasco, hospedando-se na casa de Judas, onde permaneceu três dias sem vista, sem comer, sem beber, orando e meditando sobre a revelação que Deus lhe fizera. Ao terceiro dia, o Senhor mandou certo judeu convertido, chamado Ananias, que fosse ter com Paulo e impor-lhe as mãos para recobrar a vista.

O Senhor garantiu a Ananias, o qual tinha receio de encontrar-se com o grande perseguidor, que este, quando em oração, já o tinha visto aproximar-se dele. portanto Ananias, obedeceu. Paulo confessou sua fé em Jesus, recobrou a vista, e recebeu o batismo e dai em diante começou a pregar nas sinagogas que Jesus era o Cristo, Filho do Deus vivo. Contudo o aparecimento de Cristo não foi a causa da conversão de Saulo, e sim a obra do Espírito Santo no coração, habilitando-o a receber e aceitar a verdade que lhe havia sido revelada. Foi o mesmo Espírito que convenceu Ananias e que o levou a impor as mãos e a unir à igreja nascente o novo convertido.

Os foros de cidadão romano, a instrução recebida nas escolas, as suas qualidades pessoais, tudo isto serviu para fazer dele um instrumento especial para a obra missionária. A sua experiência religiosa também teve o efeito de prepará-lo para ser grande expositor da doutrina da justificação pelos méritos de Cristo, alcançados somente pela fé. Após a sua conversão, Paulo deu início à obra da evangelização; em parte graças à sua natural energia, e também por haver Deus revelado a que ele seria um escolhido para levar seu nome adiante.

Paulo começou sua obra nas sinagogas de Damasco com muito êxito, provocando contra si a perseguição dos judeus de Damasco, auxiliados pelo governador da cidade, de modo que foi preciso fugir. Os discípulos, de noite , o deslizaram pela muralha da cidade, metendo-o numa alcofa. Em vez de regressar a Jerusalém, dirigiu-se para a Arábia e de lá voltou a Damasco. Não se sabe em que lugar da Arábia ele esteve, nem quanto tempo ficou lá, nem o que foi fazer.

Três anos depois de sua conversão, determinou sair de Damasco e ir outra vez a Jerualém. Diz-nos ele que o principal objetivo desta viagem foi visitar a Pedro Gl 1:18-19. A igreja em Jerusalém teve medo dele, não acreditando que agora fosse discípulo de Cristo. Foi necessário que Barnabé o levasse consigo e o apresentasse aos apóstolos, contando como havia visto ao Senhor e como depois em Damasco ele se portou com toda a liberdade em nome de Jesus.

Paulo pregava em Jerusalém da mesma forma que em Damasco a fim de converter seus velhos amigos e compatriotas, mas houve uma conspiração contra ele. Com isso os irmãos o conduziram a Cesaréia e dali para Tarso. Neste período em que ficou em Tarso, evangelizou e provavelmente fundou as igrejas da Cilícia, incidentalmente referidas em At 15:41. Alguns dos judeus convertidos que falavam a língua grega, que haviam saído de Jerusalém, fugindo à perseguição que se seguiu à morte de Estevão, chegaram a cidade de Antioquia da Síria. Nesta cidade os cristãos refugiados começaram a pregar aos gentios. Muitos se converteram ali de modo a formarem uma igreja gentílica na metropole da Síria.

Quando a notícia chegou a Jerusalém, enviaram lá a Barnabé para investigar o caso. Claramente descobriu a mão de Deus neste movimento, não obstante serem os recém-convertidos incircuncidados. Parece que ele também percebeu que Deus estava abrindo a porta aos trabalhos de Paulo, porque dali foi buscá-lo a Tarso e levou-o para Antioquia. Muitos outros gentios se converteram de modo que a nova igreja não tinha vestígios do judaismo e fora denominada dos cristãos pelos habitantes da cidade.

Quando Paulo estava em Antioquia, um profeta de nome Ágabo, vindo da Judéia, predisse na assembléia dos cristãos, que em breve haveria uma grande fome na terra.

Serviu esta profecia de motivo para que os irmãos manifestassem o seu extremado amor para com os cristãos da Judéia. Este fato é prova notável do sentimento de obrigação destes gentios para com aqueles de que haviam recebido a nova fé, e também para mostrar quão depressa haviam sido destruídos os muros de inimizade que separava as raças e as classes. Em Antioquia fizeram-se logo contribuição para aliviar as necessidades dos irmãos da Judéia, enviadas por mão de Barnabé e de Saulo, At 11:29-30. 
 

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